A reunião de hoje foi no Waldemar Henrique. Conseguimos alguns domingos por lá.
Novas imagens:
-Giovana tentando descobrir motivos para chorar enquanto faz cocô. Se imagina tendo um filho, e pensa em coisas difíceis da vida.
-Ana (looouca) com muita preguiça de escovar os dentes, a ponto de ficar falando sozinha no banheiro por horas.
-Haroldo (sou eu!) brincando de explorar planos e caretas em lutas de efeitos especiais com os dedos.
-Giovana quando criança, indo fazer fotos. A fotógrafa perde a paciência pedindo pra que ela abaixe a sobrancelha. Ela não entende.
-Também conversamos sobre diversas situações nas quais as crianças choram para chamar a atenção dos pais (cena da giovana na beira da piscina, tentando gritar de choro para que sua mãe a visse).
Percebemos que muitas das imagens que construímos são mais engraçadas pra gente do que para o espectador. Ficou a missão: criar propostas de encenação que possam "colar" isso, de modo que se entenda e seja divertido.
domingo, 25 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Retomando
Hoje tivemos um reencontro bem gostoso, na escola de música. Aliás, pode ser um bom espaço de ensaio, para tomarmos como definitivo. Vamos ver. Mas o encontro de hoje foi bom, ao meu ver, porque não nos prendemos em textos. Simplesmente lembramos de brincadeiras, e coisas interessantes, e projetamos para a cena. Acabamos saindo de lá com quatro esboços prontos:
-Cena das crianças aprendendo a fazer coisas com cartolina, tesoura, etc. O menino provoca a menina, que começa a chorar. Aos poucos, o choro vai contaminando a todos.
-Cena da Priscila, a única garota da primeira série que já tem peitos. Ocorre a narração, por parte de jornalistas fofoqueiros, de uma partida de queimada.
-Cena da mãe levando Haroldo, o tigre de pelúcia, para lavar, enquanto a filha tenta, desesperadamente, salvar o amigo do afogamento.
-Cena dos pais, conversando sobre seus filhos. Todos chamam de "Júnior", afinal, estamos falando de nós mesmos.
E essas cenas se somam às que já temos [mas que precisam ser revisadas], que são:
-Helicóptero
-Trio com ventilador
-Cena das crianças aprendendo a fazer coisas com cartolina, tesoura, etc. O menino provoca a menina, que começa a chorar. Aos poucos, o choro vai contaminando a todos.
-Cena da Priscila, a única garota da primeira série que já tem peitos. Ocorre a narração, por parte de jornalistas fofoqueiros, de uma partida de queimada.
-Cena da mãe levando Haroldo, o tigre de pelúcia, para lavar, enquanto a filha tenta, desesperadamente, salvar o amigo do afogamento.
-Cena dos pais, conversando sobre seus filhos. Todos chamam de "Júnior", afinal, estamos falando de nós mesmos.
E essas cenas se somam às que já temos [mas que precisam ser revisadas], que são:
-Helicóptero
-Trio com ventilador
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Barbie: mãe solteira e prostituta
Até os meus 10 anos de idade eu acreditava que fazer sexo era o que eu via nas novelas - um homem e uma mulher tiram as suas roupas, se deitam aos beijos numa cama e começam a esfregar suas peles.
Foi numa noite, assistindo ao Criança Esperança de 1994 que meu pai me contou a verdade.
Ao assistir a performance dos bailarinos no palco, Papis disse: "Esse pessoal tá parecendo cachorro quando tá atracado". Sem conseguir visualizar a situação exposta por Papis, perguntei: "Como assim?". Ele disse: "É minha filha, cachorro depois que transa. Tu nunca viu?". Eu disse: "Não. Porque cachorro fica atracado depois que transa?".
Ele, surpreso por eu ainda não ter conhecimento teorico sobre aquilo que anos mais tarde revelou-se para mim como sendo o grande fascínio da humanidade, começou, meio que sem graça, a me explicar os procedimentos técnicos do ato de fazer amor.
A idéia de que um pênis poderia entrar no buraco que existe entre as pernas de uma menina, era algo que já tinha passado antes pela minha cabeça. Mas lembro-me bem que logo descartei essa possibilidade por achá-la nojenta demais. Minha surpresa ao saber que minha idéia estava correta foi grande.
Fiquei muito feliz de saber algo que eu compreendia como sendo um segredo dos adultos.
Fazer sexo e tudo que envolve esta prática não é algo permitido ao mundo das crianças.
E por ser proibido, sempre me despertou profundo interesse.
Apesar de os adultos tentarem preservar uma imagem de inocência nas crianças, nem sempre isso corresponde a realidade.
O que posso falar sobre isso é que eu nunca fui inocente, pura e bondosa.
Minhas brincadeiras solitárias da época da infância eram na verdade grandes momentos de exploração das minhas fantasias eróticas, nas quais eu inventava histórias e personagens com uma criatividade de dar inveja a qualquer roteirista de filme pornô.
Nas tardes vermelhas e quentes que passei em meu quarto, eu frequentemente transformava minha Barbie em uma mulher muito sedutora, que transava em demasia.
Barbie às vezes se descuidava e acabava ficando grávida.
O Ken, seu viril namorado, por mais de uma vez não quis assumir a criança que Barbie carregava, fazendo com que a pobre mulher arcasse com as adversidade pertinentes a vida de uma mãe solteira.
Sem perspectivas de ter como criar seu filho, minha Barbie se prostituiu ainda grávida!
Foi numa noite, assistindo ao Criança Esperança de 1994 que meu pai me contou a verdade.
Ao assistir a performance dos bailarinos no palco, Papis disse: "Esse pessoal tá parecendo cachorro quando tá atracado". Sem conseguir visualizar a situação exposta por Papis, perguntei: "Como assim?". Ele disse: "É minha filha, cachorro depois que transa. Tu nunca viu?". Eu disse: "Não. Porque cachorro fica atracado depois que transa?".
Ele, surpreso por eu ainda não ter conhecimento teorico sobre aquilo que anos mais tarde revelou-se para mim como sendo o grande fascínio da humanidade, começou, meio que sem graça, a me explicar os procedimentos técnicos do ato de fazer amor.
A idéia de que um pênis poderia entrar no buraco que existe entre as pernas de uma menina, era algo que já tinha passado antes pela minha cabeça. Mas lembro-me bem que logo descartei essa possibilidade por achá-la nojenta demais. Minha surpresa ao saber que minha idéia estava correta foi grande.
Fiquei muito feliz de saber algo que eu compreendia como sendo um segredo dos adultos.
Fazer sexo e tudo que envolve esta prática não é algo permitido ao mundo das crianças.
E por ser proibido, sempre me despertou profundo interesse.
Apesar de os adultos tentarem preservar uma imagem de inocência nas crianças, nem sempre isso corresponde a realidade.
O que posso falar sobre isso é que eu nunca fui inocente, pura e bondosa.
Minhas brincadeiras solitárias da época da infância eram na verdade grandes momentos de exploração das minhas fantasias eróticas, nas quais eu inventava histórias e personagens com uma criatividade de dar inveja a qualquer roteirista de filme pornô.
Nas tardes vermelhas e quentes que passei em meu quarto, eu frequentemente transformava minha Barbie em uma mulher muito sedutora, que transava em demasia.
Barbie às vezes se descuidava e acabava ficando grávida.
O Ken, seu viril namorado, por mais de uma vez não quis assumir a criança que Barbie carregava, fazendo com que a pobre mulher arcasse com as adversidade pertinentes a vida de uma mãe solteira.
Sem perspectivas de ter como criar seu filho, minha Barbie se prostituiu ainda grávida!
Deus Assassino
Logo depois que a gente nasce uma série de regras começam a ser repassadas a nós. Essas regras nos ensinam como devemos pensar, guiando o nosso raciocínio. A partir daí, começamos a experimentar essas formas de pensar e aplicamos os conceitos que nossos pais (ou alguém que os valha) nos dão.
Quanta criatividade temos nessa fase de verificação de regras!
Penso que a criatividade da criança muitas vezes é inversamente proporcinal à capacidade do adulto de podá-la, para que um dia a criança cresça e se torne tão chata quanto ele.
Lembro de um desses meus momentos de "aplicação de conceitos".
Eu devia ter uns 5 ou 6 anos, estava na cama e minha mãe estava deitada ao meu lado. Era hora de dormir. Nesses momentos ela contava histórias ou cantava. Mas num dia em especial, começamos a conversar sobre os pais dela. Ela me falava de como eles eram e que eles já estavam mortos. Eu, naquela altura de minha vida, já sabia que a morte era algo que existia (pelo menos pra aquelas pessoas que já tinham morrido), mas eu queria entender o porquê das pessoas morrerem, então eu perguntei para minha mãe sobre o ocorrido com meus avós: "Por que o teu pai e a tua mãe morreram?". Minha mãe respondeu-me: "Porque Deus quis". Logicamente conclui: "Então Deus é assassino?!". Minha mãe com a presteza de quem é vigiada por um ser onipotente, onisciente e onipresente disse rapidamente: "Não minha filha, claro que não. Não diga isso!".
Naquele momento aprendi que a sentença "quem tira a vida de alguém é um assassino", não se aplicava a toda circunstância e que a justiça não é igual para todos.
Quanta criatividade temos nessa fase de verificação de regras!
Penso que a criatividade da criança muitas vezes é inversamente proporcinal à capacidade do adulto de podá-la, para que um dia a criança cresça e se torne tão chata quanto ele.
Lembro de um desses meus momentos de "aplicação de conceitos".
Eu devia ter uns 5 ou 6 anos, estava na cama e minha mãe estava deitada ao meu lado. Era hora de dormir. Nesses momentos ela contava histórias ou cantava. Mas num dia em especial, começamos a conversar sobre os pais dela. Ela me falava de como eles eram e que eles já estavam mortos. Eu, naquela altura de minha vida, já sabia que a morte era algo que existia (pelo menos pra aquelas pessoas que já tinham morrido), mas eu queria entender o porquê das pessoas morrerem, então eu perguntei para minha mãe sobre o ocorrido com meus avós: "Por que o teu pai e a tua mãe morreram?". Minha mãe respondeu-me: "Porque Deus quis". Logicamente conclui: "Então Deus é assassino?!". Minha mãe com a presteza de quem é vigiada por um ser onipotente, onisciente e onipresente disse rapidamente: "Não minha filha, claro que não. Não diga isso!".
Naquele momento aprendi que a sentença "quem tira a vida de alguém é um assassino", não se aplicava a toda circunstância e que a justiça não é igual para todos.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Cadê?
Cadê, cadê o meu filhote, hem? Cadê o filhote de mamãe? Cresceu... sumiu.
Eu ainda lembro direitinho quando eu podia carregar o meu filho no colo... Ah, eu passava o dia todinho com o meu filhote. Dormia junto, dava banhin, lavava a bundinha, o pintin, o suvaquin...
Agora, pôssa, mamãe. Só quer saber de ficar no computador! Passa o dia fora, e nem liga, me deixa aqui, preocupada! Chega em casa, e passa direto, nem fala direito, vai direto pro computador... Nem beija a mamãe... Agora o meu bebezinho já é um bebezão, nem dá mais pra segurar no meu colo!... Ah, eu sinto tanta falta do meu bebezinho, tanta falta. Olha, meu filho, eu penso, tanto, mas tanto em você! Passo o dia todinho orando pro nosso Deus te guiar, abrir tuas portas. Ô meu filho, não esquece de rezar antes de dormir, tá?
Ô, meu deus, eu te amo tanto! É a maior bênção que Deus já me deu. Meu bebê... meu bebezinho...
Cadê a minha criança, que eu carreguei aqui dentro, dei banho, amamentei? Cadê, cadê o meu filhote, hem? Cadê o filhote de mamãe? Cresceu... sumiu!
Eu ainda lembro direitinho quando eu podia carregar o meu filho no colo... Ah, eu passava o dia todinho com o meu filhote. Dormia junto, dava banhin, lavava a bundinha, o pintin, o suvaquin...
Agora, pôssa, mamãe. Só quer saber de ficar no computador! Passa o dia fora, e nem liga, me deixa aqui, preocupada! Chega em casa, e passa direto, nem fala direito, vai direto pro computador... Nem beija a mamãe... Agora o meu bebezinho já é um bebezão, nem dá mais pra segurar no meu colo!... Ah, eu sinto tanta falta do meu bebezinho, tanta falta. Olha, meu filho, eu penso, tanto, mas tanto em você! Passo o dia todinho orando pro nosso Deus te guiar, abrir tuas portas. Ô meu filho, não esquece de rezar antes de dormir, tá?
Ô, meu deus, eu te amo tanto! É a maior bênção que Deus já me deu. Meu bebê... meu bebezinho...
Cadê a minha criança, que eu carreguei aqui dentro, dei banho, amamentei? Cadê, cadê o meu filhote, hem? Cadê o filhote de mamãe? Cresceu... sumiu!
Prólogo: Começando com mentiras
(Cena a ser feita por uma atriz caracterizada como mulher grávida)
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Ah... como é bom lembrar de quando éramos crianças! Essa época mágica, na qual toda a felicidade do mundo pode caber... numa caixinha de bombons!
Quando tudo e nada eram palavras tão usadas, e não imaginávamos seu real significado... Olhamos as fotos, e as lembranças vêm a tona... Ah, as lembranças! Quanta saudade... dessa fase tão doce, tão segura, que todos vivemos. Dessa fase tão ingênua, tão inocente, quando não existe maldade no coração... A fase que é fonte de nossos imaginários, e nossas emoções. Quanta saudade...!
Não é uma pena que a gente só descubra a infância depois que ela passou? Que ela seja como um sonho do qual só tomamos consciência quando acordamos, já adultos? Ah, se pudéssemos retornar o sonho, tão próximo e tão distante, para revive-lo plenamente, com consciência e os sentidos despertos...
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Ah... como é bom lembrar de quando éramos crianças! Essa época mágica, na qual toda a felicidade do mundo pode caber... numa caixinha de bombons!
Quando tudo e nada eram palavras tão usadas, e não imaginávamos seu real significado... Olhamos as fotos, e as lembranças vêm a tona... Ah, as lembranças! Quanta saudade... dessa fase tão doce, tão segura, que todos vivemos. Dessa fase tão ingênua, tão inocente, quando não existe maldade no coração... A fase que é fonte de nossos imaginários, e nossas emoções. Quanta saudade...!
Não é uma pena que a gente só descubra a infância depois que ela passou? Que ela seja como um sonho do qual só tomamos consciência quando acordamos, já adultos? Ah, se pudéssemos retornar o sonho, tão próximo e tão distante, para revive-lo plenamente, com consciência e os sentidos despertos...
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Conceitos formais e bobos (wikipedia)
Uma criança é um ser humano no início de seu desenvolvimento. São chamadas recém-nascidas do nascimento até um mês de idade; bebê, entre o segundo e o décimo-oitavo mês, e criança quando têm entre dezoito meses até oito anos de idade. O ramo da medicina que cuida do desenvolvimento físico e das doenças e/ou traumas físicos nas crianças é a pediatria. Os aspectos psicológicos do desenvolvimento da personalidade, com presença ou não de transtornos do comportamento, de transtornos emocionais, e/ou presença de neurose infantil - incluídos toda ordem de carências, negligências, violências e abusos, que não os deixa "funcionar" saudavelmente, com a alegria e interesses que lhes são natural - recebem a atenção da Psicologia Clínica Infantil (Psicólogos), através da Psicoterapia Lúdica. Os aspectos cognitivos (intelectual e social) é realizada pela Pedagogia (Professores), nas formalidades da vida escolar, desde a pré-escola, aos cinco anos de idade, ou até antes, aos 3 anos de idade.
Pra ver toda a baboseira (que pode vir a ser útil dramaturgicamente), clique AQUI.
Pra ver toda a baboseira (que pode vir a ser útil dramaturgicamente), clique AQUI.
Pisca-Pisca
A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso.
É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.
Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia.
pisca e mama;
pisca e anda;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim, pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso.
É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.
Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia.
pisca e mama;
pisca e anda;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim, pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?
Memórias de Emília, Monteiro Lobato
Manoel Barros e a infância
Acho que encontrei um belo trunfo dramatúrgico. Esse cara trata a criança como um ator social pleno, que tem o incrível dom de desconstruir as coisas cristalizadas pelo capitalismo. Vejam:
--
A identificação do poeta com a criança, para Manoel de Barros, se sustenta no fato de que
ambos fazem uso da linguagem como ampliação do mundo não só vivido, mas também
imaginado. Se a palavra é a matéria-prima de que dispõe o poeta para sua criação,
considera que também a criança se utiliza da linguagem para recriar e transfigurar a
realidade:
Com certeza, a liberdade e a poesia a gente
aprende com as crianças.
(Barros, 1999, s/p.)
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos –
O verbo tem que pegar delírio.
(Barros, 2001b, p. 15)
A criança, então, para Manoel, não é um ser ingênuo, incompetente, mas sim
inquieto, inventivo e transgressor, capaz de criar um mundo inserido no mundo maior, tal
como o pensamento de Benjamin (1984) sobre a infância. O poeta mostra a incompreensão
do adulto que não ouve a criança, considerando-a como ser incompetente e incompleto, que
ainda não é e que precisa vir a ser, e ignorando a capacidade da criança de estabelecer
semelhanças:
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que
fazia uma volta atrás de casa./ Passou um homem depois e disse: Essa volta que o
rio faz por trás de sua casa se chama enseada./ Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás da casa. / Era uma enseada./ Acho que o
nome empobreceu a imagem.
(Barros, 2001b, p.25)
--
A identificação do poeta com a criança, para Manoel de Barros, se sustenta no fato de que
ambos fazem uso da linguagem como ampliação do mundo não só vivido, mas também
imaginado. Se a palavra é a matéria-prima de que dispõe o poeta para sua criação,
considera que também a criança se utiliza da linguagem para recriar e transfigurar a
realidade:
Com certeza, a liberdade e a poesia a gente
aprende com as crianças.
(Barros, 1999, s/p.)
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos –
O verbo tem que pegar delírio.
(Barros, 2001b, p. 15)
(...)
A criança, então, para Manoel, não é um ser ingênuo, incompetente, mas sim
inquieto, inventivo e transgressor, capaz de criar um mundo inserido no mundo maior, tal
como o pensamento de Benjamin (1984) sobre a infância. O poeta mostra a incompreensão
do adulto que não ouve a criança, considerando-a como ser incompetente e incompleto, que
ainda não é e que precisa vir a ser, e ignorando a capacidade da criança de estabelecer
semelhanças:
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que
fazia uma volta atrás de casa./ Passou um homem depois e disse: Essa volta que o
rio faz por trás de sua casa se chama enseada./ Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás da casa. / Era uma enseada./ Acho que o
nome empobreceu a imagem.
(Barros, 2001b, p.25)
Pra ver o artigo inteiro, cliquem AQUI. É muito bom. Leiam principalmente as passagens de poemas dele, acho que é tão forte como o Snoopy, enquanto referência pra dramaturgia.
domingo, 6 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Boas notas!
ATOR 1: Ontem, fizemos um teste de verdadeiro ou falso, e depois uma prova escrita. Ai, como eu odeio semana de provas! Depois vem as férias, mas depois das férias, vamos ter mais dever de casa, mais provas, mais trabalhos... Ai, meu deus, amanhã tem prova de matemática!
ATOR 2: Eu tenho que tirar 9 nessa prova! Ou vou acabar repetindo de ano... Por que a gente tem que se preocupar tanto com as notas, hem?
ATOR 3: Bom, acho que o propósito de ir à escola é tirar boas notas. Então, quando a gente entrar no convênio, onde o propósito é estudar bastante, a gente tira boas notas e passa no vestibular. E o propósito de passar no vestibular é tirar boas notas na faculdade, pra se formar e poder fazer a pós-graduação. E o propósito disso é se dedicar muito para tirar boas notas! Assim, você pode conseguir um emprego e ter sucesso, e daí você pode se casar. E ter filhos para mandá-los à escola pra tirar boas notas. E assim, eles vão pro convênio pra tirar boas notas pra irem pra faculdade e estudarem muito...
ATOR 2: Eu tenho que tirar 9 nessa prova! Ou vou acabar repetindo de ano... Por que a gente tem que se preocupar tanto com as notas, hem?
ATOR 3: Bom, acho que o propósito de ir à escola é tirar boas notas. Então, quando a gente entrar no convênio, onde o propósito é estudar bastante, a gente tira boas notas e passa no vestibular. E o propósito de passar no vestibular é tirar boas notas na faculdade, pra se formar e poder fazer a pós-graduação. E o propósito disso é se dedicar muito para tirar boas notas! Assim, você pode conseguir um emprego e ter sucesso, e daí você pode se casar. E ter filhos para mandá-los à escola pra tirar boas notas. E assim, eles vão pro convênio pra tirar boas notas pra irem pra faculdade e estudarem muito...
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Cena: Medos
Ator canta, melancólico:
Tinky Winky
Dipsy
Lala
Po
Teletubbies...
Teletubbies...
Atriz - Eu tenho medo.
Ator - Eu tenho medo da infância.
Atriz - Eu tinha medo do escuro.
Ator - Bicho papão, alienígenas, demônios?
Atriz - Eu tinha medo de um anjo...
Ator - Eu tinha medo da musiquinha dos teletubbies.
Atriz canta:
Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar...
Ator- Eu fui uma criança bem gorda. Sempre tive os quadris muito largos, e isso conferia a mim uma forma diferente de andar. Uma forma que os outros começaram a achar engraçada. Logo criaram um link: Tinky Winky.
Atriz canta:
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhantes...
Ator - Eu tinha medo.
Atriz canta:
Para o meu
Para o meu amor passar
Ator - Eu tinha muito medo. Muito medo do inevitável momento em que iria chegar, de manhã cedo, no colégio. Sabia que, aos poucos, as pessoas sorririam, cochichariam umas com as outras, e começariam a cantar a musiquinha, enquanto eu atravessava a rua. Se corresse, seria pior, e muito mais divertido pra eles. Então continuava andando lentamente, do meu jeito.
Atriz canta:
Nessa rua
Nessa rua tem um poste...
Ator - Poste?
Atriz canta:
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração
Atriz e Ator - Esse era um dos meus maiores medos da infância.
Ator - Quando criança, duas vezes por semana havia uma ameaça que me assombrava: a aula de educação física. Haviam os anos em que, logo em janeiro, eu ia ao médico e conseguia um atestado, alegando um problema besta de coluna, que me salvaria, por 365 dias, de viver aqueles momentos. Mas haviam as ocasiões que eu não conseguia.
(Atriz toca tema dos teletubbies com a gaita)
Ator - Certa vez, o professor ordenou que fossem formados dois times, para uma partida de futebol. Dois líderes foram tirados para escolherem, um a um, quem iria jogar em cada lado. Foram escolhendo, um por um, até que sobramos apenas eu, e mais um garoto. Então, um dos líderes chamou o outro garoto. Em seguida o outro virou pra ele, indignado, e brincou:
Atriz 2- PORRA, TU DEIXOU O DEFEITUOSO PRA MIM!
Ator e atriz cantam, ao mesmo tempo:
(Tinky Winky...) Nessa rua, nessa rua tem um poste
(Dipsy...) Que se chama, que se chama solidão
(Lala...) Dentro dele, dentro dele mora um anjo
(Po...) Que roubou, que roubou meu coração
(Ator continua a canção dos teletubbies em vocalize. Aos poucos, Os três atores vão formando a imagem de uma foto de família, na qual Ator é o irmão, Atriz 2 é a mãe, e Atriz é a filha)
Atriz - Esse era um dos meus maiores medos da infância. Durante muito tempo, quando criança, eu achava que tinha um anjo que morava dentro de um poste. Imaginava, numa rua escura, um poste com um buraco e que lá dentro tinha um rosto que me olhava. Às vezes o rosto era do Gonzo, dos Muppets. Era uma das coisas mais assustadoras da minha infância.
(Ator e Atriz 2 fazem vocalize do "Se essa rua")
Atriz - Essa imagem se repetia em um sonho recorrente: Eu, minha mãe e meu irmão no zoológico, um lugar escuro e úmido como aquela rua da música. Em algum momento eu via um muro que era a cela de algum animal, e nela tinha um buraco aonde eu enfiava a mão, eu nunca via o que tinha lá, mas eu sabia que era aquele rosto do poste, talvez o Gonzo.
(Alguém apaga o interruptor de luz, fica escuro, e a música pára)
Atriz - Eu acordava chorando, não lembro porque.
Tinky Winky
Dipsy
Lala
Po
Teletubbies...
Teletubbies...
Atriz - Eu tenho medo.
Ator - Eu tenho medo da infância.
Atriz - Eu tinha medo do escuro.
Ator - Bicho papão, alienígenas, demônios?
Atriz - Eu tinha medo de um anjo...
Ator - Eu tinha medo da musiquinha dos teletubbies.
Atriz canta:
Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar...
Ator- Eu fui uma criança bem gorda. Sempre tive os quadris muito largos, e isso conferia a mim uma forma diferente de andar. Uma forma que os outros começaram a achar engraçada. Logo criaram um link: Tinky Winky.
Atriz canta:
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhantes...
Ator - Eu tinha medo.
Atriz canta:
Para o meu
Para o meu amor passar
Ator - Eu tinha muito medo. Muito medo do inevitável momento em que iria chegar, de manhã cedo, no colégio. Sabia que, aos poucos, as pessoas sorririam, cochichariam umas com as outras, e começariam a cantar a musiquinha, enquanto eu atravessava a rua. Se corresse, seria pior, e muito mais divertido pra eles. Então continuava andando lentamente, do meu jeito.
Atriz canta:
Nessa rua
Nessa rua tem um poste...
Ator - Poste?
Atriz canta:
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração
Atriz e Ator - Esse era um dos meus maiores medos da infância.
Ator - Quando criança, duas vezes por semana havia uma ameaça que me assombrava: a aula de educação física. Haviam os anos em que, logo em janeiro, eu ia ao médico e conseguia um atestado, alegando um problema besta de coluna, que me salvaria, por 365 dias, de viver aqueles momentos. Mas haviam as ocasiões que eu não conseguia.
(Atriz toca tema dos teletubbies com a gaita)
Ator - Certa vez, o professor ordenou que fossem formados dois times, para uma partida de futebol. Dois líderes foram tirados para escolherem, um a um, quem iria jogar em cada lado. Foram escolhendo, um por um, até que sobramos apenas eu, e mais um garoto. Então, um dos líderes chamou o outro garoto. Em seguida o outro virou pra ele, indignado, e brincou:
Atriz 2- PORRA, TU DEIXOU O DEFEITUOSO PRA MIM!
Ator e atriz cantam, ao mesmo tempo:
(Tinky Winky...) Nessa rua, nessa rua tem um poste
(Dipsy...) Que se chama, que se chama solidão
(Lala...) Dentro dele, dentro dele mora um anjo
(Po...) Que roubou, que roubou meu coração
(Ator continua a canção dos teletubbies em vocalize. Aos poucos, Os três atores vão formando a imagem de uma foto de família, na qual Ator é o irmão, Atriz 2 é a mãe, e Atriz é a filha)
Atriz - Esse era um dos meus maiores medos da infância. Durante muito tempo, quando criança, eu achava que tinha um anjo que morava dentro de um poste. Imaginava, numa rua escura, um poste com um buraco e que lá dentro tinha um rosto que me olhava. Às vezes o rosto era do Gonzo, dos Muppets. Era uma das coisas mais assustadoras da minha infância.
(Ator e Atriz 2 fazem vocalize do "Se essa rua")
Atriz - Essa imagem se repetia em um sonho recorrente: Eu, minha mãe e meu irmão no zoológico, um lugar escuro e úmido como aquela rua da música. Em algum momento eu via um muro que era a cela de algum animal, e nela tinha um buraco aonde eu enfiava a mão, eu nunca via o que tinha lá, mas eu sabia que era aquele rosto do poste, talvez o Gonzo.
(Alguém apaga o interruptor de luz, fica escuro, e a música pára)
Atriz - Eu acordava chorando, não lembro porque.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Metas!
Temos data marcada para nossa primeira prévia: 31 de dezembro.
Até o próximo encontro, do dia 10, devemos deixar pronta a dramaturgia. Teremos os seguintes dias de ensaios: 10, 15, 18, 22, 24 e 29.
Vamos trabalhar com colagem. Até agora nosso esboço é:
-Campainhas do teatro como buzina de vendedor de pamonha, significando a voz da mãe;
-Monólogo mãe (Aninha)
-Espadas (Giovana e Haroldo)
-Velha que guarda o filho na caixa, e morre (Haroldo)
"É tu a mãe!" - Passa a bola pra aninha fazer a mãe de costas
-Questionamentos sobre a morte (Giovana)
-Texto do pisca-pisca (dado pelos três), com transparências e retro-projetor
-Cena dos helicópteros, com animação de sombras no projetor
-Música
-Entrada de Corisco, Theflash e Relâmpago
-Cenas cruzadas: de um lado, a cabeça da tartaruga sendo cortada (Haroldo); de outro, o dedo da bailarina (Aninha). No meio, criança brincando com hélice de ventilador mortal (Giovana)
-Encaixar: barbie, educação física, poste.
-Fim: brincando de quem vai ser a mãe, são surpreendidos pela voz da buzina (mãe), mandando voltarem pra casa.
Mote para transição: "Tu é a mãe!", quando houver uma mãe na cena. A pessoa se torna a mãe quando começa a ver as coisas de maneira adulta.
Viabilizar: Ventilador, extensão, retro-projetor, caixa com furos para as espadas, e as "espadas".
Até o próximo encontro, do dia 10, devemos deixar pronta a dramaturgia. Teremos os seguintes dias de ensaios: 10, 15, 18, 22, 24 e 29.
Vamos trabalhar com colagem. Até agora nosso esboço é:
-Campainhas do teatro como buzina de vendedor de pamonha, significando a voz da mãe;
-Monólogo mãe (Aninha)
-Espadas (Giovana e Haroldo)
-Velha que guarda o filho na caixa, e morre (Haroldo)
"É tu a mãe!" - Passa a bola pra aninha fazer a mãe de costas
-Questionamentos sobre a morte (Giovana)
-Texto do pisca-pisca (dado pelos três), com transparências e retro-projetor
-Cena dos helicópteros, com animação de sombras no projetor
-Música
-Entrada de Corisco, Theflash e Relâmpago
-Cenas cruzadas: de um lado, a cabeça da tartaruga sendo cortada (Haroldo); de outro, o dedo da bailarina (Aninha). No meio, criança brincando com hélice de ventilador mortal (Giovana)
-Encaixar: barbie, educação física, poste.
-Fim: brincando de quem vai ser a mãe, são surpreendidos pela voz da buzina (mãe), mandando voltarem pra casa.
Mote para transição: "Tu é a mãe!", quando houver uma mãe na cena. A pessoa se torna a mãe quando começa a ver as coisas de maneira adulta.
Viabilizar: Ventilador, extensão, retro-projetor, caixa com furos para as espadas, e as "espadas".
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Poste
Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhantes
Para o meu
Para o meu amor passar
Nessa rua
Nessa rua tem um poste
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração
Durante muito tempo quando criança eu passei achando que tinha um anjo que morava dentro de um poste. Imaginava, numa rua escura, um poste com um buraco e que lá dentro tinha um rosto que me olhava. Às vezes o rosto era do Gonzo (Muppets). Era uma das coisas mais assustadoras da minha infância. Essa imagem se repetia em sonho, o meus sonho recorrente: Eu, minha mãe e meu irmão no zoológico, um lugar escuro e úmido como aquela rua da música, em algum momento eu via um muro que era a cela de algum animal, e nela tinha um buraco aonde eu enfiava a mão, eu nunca via o que tinha lá, mas eu sabia que era aquele rosto do poste, talvez o Gonzo. Eu acordava chorando, não sei mais porque.
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhantes
Para o meu
Para o meu amor passar
Nessa rua
Nessa rua tem um poste
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração
Durante muito tempo quando criança eu passei achando que tinha um anjo que morava dentro de um poste. Imaginava, numa rua escura, um poste com um buraco e que lá dentro tinha um rosto que me olhava. Às vezes o rosto era do Gonzo (Muppets). Era uma das coisas mais assustadoras da minha infância. Essa imagem se repetia em sonho, o meus sonho recorrente: Eu, minha mãe e meu irmão no zoológico, um lugar escuro e úmido como aquela rua da música, em algum momento eu via um muro que era a cela de algum animal, e nela tinha um buraco aonde eu enfiava a mão, eu nunca via o que tinha lá, mas eu sabia que era aquele rosto do poste, talvez o Gonzo. Eu acordava chorando, não sei mais porque.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Sobre o que, de fato, deixamos de ser.
CHILDHOOD (tradução)
Vocês viram minha infância?
Estou procurando pelo mundo de onde venho
Porque eu tenho procurado
Nos "achados e perdidos" do meu coração
Ninguém me entende...
Eles vêem isso como estranhas excentricidades
Porque eu fico por aí brincando
Como uma criança, mas me perdoem...
As pessoas dizem que eu não estou bem
Por eu amar coisas tão simples
Tem sido o meu destino para compensar
Uma infância que eu nunca conheci
Vocês viram minha infância?
Estou procurando pela beleza na minha juventude
Como piratas e sonhos de aventura
De conquistas e reis nos seus tronos
Antes de me julgar,
Tente mesmo me amar
Olhe dentro do seu coração e pergunte
Vocês viram minha infância?
As pessoas dizem que sou estranho desse modo
Por eu amar coisas tão simples
Tem sido o meu destino compensar
Uma infância que eu nunca conheci
Vocês viram minha infância?
Estou procurando pela beleza na minha juventude
Como histórias fantásticas para contar
Os sonhos que eu ousaria, me olhem voando...
Antes de me julgar,
Tente mesmo me amar
A juventude dolorosa que eu tive
Vocês viram minha infância?
Cena
( Atmosfera de sonho. Música de picadeiro. Uma mulher entra arrastando uma caixa, dentro da caixa um homem. O diálogo inteiro acontece como um número de circo em que espadas são enfiadas na caixa. as espadas aparecem em cena uma por vez, caindo de uma árvore no decorrer da cena)
Mulher: Já acordou?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Já.
Mulher: Vem tomar café.
(Finca uma espada na caixa)
Mulher: Vai esfriar, menino.
(Finca uma espada na caixa)
Mulher: Ai esse menino me mata. Já tomou banho?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Já.
Mulher: Esfregou o joelho?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Sim
Mulher: E o umbigo? Esqueceu?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Não.
Mulher: Não tá esquecendo nada?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Não.
Mulher: Mochila?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Tá aqui.
Mulher: Lanchinho?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Tá aqui.
Mulher: E as notas?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Tão aqui.
Mulher: Um sete?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: É.
Mulher: Você quer me matar! Você não está estudando!
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Matemática é difícil.
Mulher: Nada de especial de natal, mocinho!
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Por favor, por favor, por favor.
Mulher: Aonde você pensa que vai? Aonde você pensa que vai?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Sair.
Mulher: Com o vestibular ai na porta?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: É.
Mulher: Mas é pra me matar! Depois tá aí chorando. Não vem dizer que eu não avisei!
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Não.
Mulher: Não volta tarde!
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Talvez.
Mulher: Isso são horas?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Talvez.
Mulher: Ai, meu Deus, não corta mais o cabelo...
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Eu corto.
Mulher: Não faz mais a barba...
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Eu faço.
Mulher: Não aparece mais aos domingos...
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Apareço.
Mulher: Você quer que eu morra!!! (Finca uma espada na caixa)
(Uma mulher cai da árvore das espadas. Fim da cena.)
Este é um video só pra lembrar do número de mágica:
Mulher: Já acordou?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Já.
Mulher: Vem tomar café.
(Finca uma espada na caixa)
Mulher: Vai esfriar, menino.
(Finca uma espada na caixa)
Mulher: Ai esse menino me mata. Já tomou banho?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Já.
Mulher: Esfregou o joelho?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Sim
Mulher: E o umbigo? Esqueceu?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Não.
Mulher: Não tá esquecendo nada?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Não.
Mulher: Mochila?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Tá aqui.
Mulher: Lanchinho?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Tá aqui.
Mulher: E as notas?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Tão aqui.
Mulher: Um sete?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: É.
Mulher: Você quer me matar! Você não está estudando!
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Matemática é difícil.
Mulher: Nada de especial de natal, mocinho!
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Por favor, por favor, por favor.
Mulher: Aonde você pensa que vai? Aonde você pensa que vai?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Sair.
Mulher: Com o vestibular ai na porta?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: É.
Mulher: Mas é pra me matar! Depois tá aí chorando. Não vem dizer que eu não avisei!
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Não.
Mulher: Não volta tarde!
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Talvez.
Mulher: Isso são horas?
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Talvez.
Mulher: Ai, meu Deus, não corta mais o cabelo...
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Eu corto.
Mulher: Não faz mais a barba...
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Eu faço.
Mulher: Não aparece mais aos domingos...
(Finca uma espada na caixa)
Homem: Apareço.
Mulher: Você quer que eu morra!!! (Finca uma espada na caixa)
(Uma mulher cai da árvore das espadas. Fim da cena.)
Este é um video só pra lembrar do número de mágica:
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Texto baseado em sonhos recorrentes
Ele tinha nascido e não era mais do que um pedaço do céu. Como uma boa mãe que se preze tratou das providências de urgência, foi ao porão ainda cheia das dores de parir e do orgulho de filho pronto, feito, sem nenhum dedo, ou orelha, ou braço faltando (como ela era boa naquilo), e buscou no meio das coisas empoeiradas de porão uma caixa. Lixou bem a madeira pra que nenhuma farpa de perigo restasse, limpou, e forrou com jornal. Então pôs o bebê lá dentro, o único depois de tanto tempo de espera. Se pudesse mesmo botava na barriga outra vez, pensou.
Daí que o tempo passa, né?! E passou. O menino era bem gordinho a princípio, visto que não se podia crescer pra cima, então ele tratava de crescer pros lados e em profundidade que era por onde dava. Uma vez me falaram das árvores e funcionou na minha cabeça como uma dessas descobertas que não se esquece, foi dito assim: " As árvores crescem pra cima" e desde então eu sei meio significado da vida, o menino da caixa deve saber do resto.
Daí que o tempo passa, né?! E o menino virou homem, ou algo que lembrasse um homem, sabe aquelas dores de amor que a gente vai engolindo, e engolindo ao longo da vida e vai abarrotando a garganta?! O homem era assim. Ele nunca amara ninguém além da mãe porque também não havia nunca visto outro alguém que não a mãe, às vezes aparecia algum tipo de inseto no armário, que era onde a mãezinha o guardava, e ele podia conversar, mas nunca amara nenhuma dessas criaturas, ele as catava quando passavam por cima da caixa, e enfiava o bicho em um dos cantos do próprio corpo, exprimia até que a barata ou aranha não pudesse mais se mexer dali, e ali ficava, numa das dobras do seu corpo embolotado, foi assim que ele aprendeu a brincar, quem vai dizer que estava errado?
Ás vezes, mas só ás vezes, ele odiava aquela mulherzinha pequena, agora então, já velha e meio suja que sempre lhe cuidou, não sabia por quê mas a odiava. Depois passava porque sempre que aparecia uma coceira aonde ele não alcançava ela estava lá pra coçar com aquelas unhas grandes e dedos compridos, muito diferente dele, era bom a beça, aí ele ficava feliz e amava ela de novo.
Daí que o tempo passa, né?! Um dia a velha mãe sentiu-se mau e resolveu dormir mais cinco minutos antes de se levantar e acordar o "menino", dormiu e não acordou. Quando já era de noite a vizinhança começou a se incomodar com o cheiro, se viva ela já não cheirava tão bem. Foi que dali pra mais tarde apareceu polícia, alguns parentes afastados, funerária e coisa e tal, não teve velório, ela não tinha gente conhecida o suficiente disposta a ficar pra um velório. Os parentes que não a conheciam senão por nome dividiram algumas coisas de valor na casa, depois trancaram tudo e puseram uma placa de Vende-se na porta, alguns meses mais tarde apareceu alguém pra limpar o lugar, mas eu não sei dizer se algum dia o armário voltou a ser aberto.
As crianças lá da rua que até hoje falam em casa assombrada, jogam pedra e correm, rindo.
Daí que o tempo passa, né?! E passou. O menino era bem gordinho a princípio, visto que não se podia crescer pra cima, então ele tratava de crescer pros lados e em profundidade que era por onde dava. Uma vez me falaram das árvores e funcionou na minha cabeça como uma dessas descobertas que não se esquece, foi dito assim: " As árvores crescem pra cima" e desde então eu sei meio significado da vida, o menino da caixa deve saber do resto.
Daí que o tempo passa, né?! E o menino virou homem, ou algo que lembrasse um homem, sabe aquelas dores de amor que a gente vai engolindo, e engolindo ao longo da vida e vai abarrotando a garganta?! O homem era assim. Ele nunca amara ninguém além da mãe porque também não havia nunca visto outro alguém que não a mãe, às vezes aparecia algum tipo de inseto no armário, que era onde a mãezinha o guardava, e ele podia conversar, mas nunca amara nenhuma dessas criaturas, ele as catava quando passavam por cima da caixa, e enfiava o bicho em um dos cantos do próprio corpo, exprimia até que a barata ou aranha não pudesse mais se mexer dali, e ali ficava, numa das dobras do seu corpo embolotado, foi assim que ele aprendeu a brincar, quem vai dizer que estava errado?
Ás vezes, mas só ás vezes, ele odiava aquela mulherzinha pequena, agora então, já velha e meio suja que sempre lhe cuidou, não sabia por quê mas a odiava. Depois passava porque sempre que aparecia uma coceira aonde ele não alcançava ela estava lá pra coçar com aquelas unhas grandes e dedos compridos, muito diferente dele, era bom a beça, aí ele ficava feliz e amava ela de novo.
Daí que o tempo passa, né?! Um dia a velha mãe sentiu-se mau e resolveu dormir mais cinco minutos antes de se levantar e acordar o "menino", dormiu e não acordou. Quando já era de noite a vizinhança começou a se incomodar com o cheiro, se viva ela já não cheirava tão bem. Foi que dali pra mais tarde apareceu polícia, alguns parentes afastados, funerária e coisa e tal, não teve velório, ela não tinha gente conhecida o suficiente disposta a ficar pra um velório. Os parentes que não a conheciam senão por nome dividiram algumas coisas de valor na casa, depois trancaram tudo e puseram uma placa de Vende-se na porta, alguns meses mais tarde apareceu alguém pra limpar o lugar, mas eu não sei dizer se algum dia o armário voltou a ser aberto.
As crianças lá da rua que até hoje falam em casa assombrada, jogam pedra e correm, rindo.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Desenvolver
Enumero aqui coisas que já citamos, mas ainda não desenvolvemos... Podemos resgatá-las como indutores para a criação de cenas, textos, célular dramatúrgicas, etc. Cada qual a seu tempo.
-Pessoas caindo de árvores
-Silêncio torturador na família
-Sonho homem na caixa, mãe não deixa crescer
-Sobre o Deus assassino, e os palavrões
-Universo paralelo imaginário
-Barbie "realista"
-Pessoas caindo de árvores
-Silêncio torturador na família
-Sonho homem na caixa, mãe não deixa crescer
-Sobre o Deus assassino, e os palavrões
-Universo paralelo imaginário
-Barbie "realista"
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