terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Conceitos formais e bobos (wikipedia)

Uma criança é um ser humano no início de seu desenvolvimento. São chamadas recém-nascidas do nascimento até um mês de idade; bebê, entre o segundo e o décimo-oitavo mês, e criança quando têm entre dezoito meses até oito anos de idade. O ramo da medicina que cuida do desenvolvimento físico e das doenças e/ou traumas físicos nas crianças é a pediatria. Os aspectos psicológicos do desenvolvimento da personalidade, com presença ou não de transtornos do comportamento, de transtornos emocionais, e/ou presença de neurose infantil - incluídos toda ordem de carências, negligências, violências e abusos, que não os deixa "funcionar" saudavelmente, com a alegria e interesses que lhes são natural - recebem a atenção da Psicologia Clínica Infantil (Psicólogos), através da Psicoterapia Lúdica. Os aspectos cognitivos (intelectual e social) é realizada pela Pedagogia (Professores), nas formalidades da vida escolar, desde a pré-escola, aos cinco anos de idade, ou até antes, aos 3 anos de idade.

Pra ver toda a baboseira (que pode vir a ser útil dramaturgicamente), clique AQUI.

Pisca-Pisca

A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso.
É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.
Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia.
pisca e mama;
pisca e anda;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim, pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?

Memórias de Emília, Monteiro Lobato

Manoel Barros e a infância

Acho que encontrei um belo trunfo dramatúrgico. Esse cara trata a criança como um ator social pleno, que tem o incrível dom de desconstruir as coisas cristalizadas pelo capitalismo. Vejam:

--
A identificação do poeta com a criança, para Manoel de Barros, se sustenta no fato de que
ambos fazem uso da linguagem como ampliação do mundo não só vivido, mas também
imaginado. Se a palavra é a matéria-prima de que dispõe o poeta para sua criação,
considera que também a criança se utiliza da linguagem para recriar e transfigurar a
realidade:

Com certeza, a liberdade e a poesia a gente
aprende com as crianças.
(Barros, 1999, s/p.)

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos –
O verbo tem que pegar delírio.
(Barros, 2001b, p. 15)
(...)

A criança, então, para Manoel, não é um ser ingênuo, incompetente, mas sim
inquieto, inventivo e transgressor, capaz de criar um mundo inserido no mundo maior, tal
como o pensamento de Benjamin (1984) sobre a infância. O poeta mostra a incompreensão
do adulto que não ouve a criança, considerando-a como ser incompetente e incompleto, que
ainda não é e que precisa vir a ser, e ignorando a capacidade da criança de estabelecer
semelhanças:

O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que
fazia uma volta atrás de casa./ Passou um homem depois e disse: Essa volta que o
rio faz por trás de sua casa se chama enseada./ Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás da casa. / Era uma enseada./ Acho que o
nome empobreceu a imagem.
(Barros, 2001b, p.25)
Pra ver o artigo inteiro, cliquem AQUI. É muito bom. Leiam principalmente as passagens de poemas dele, acho que é tão forte como o Snoopy, enquanto referência pra dramaturgia.

domingo, 6 de dezembro de 2009

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Boas notas!

ATOR 1: Ontem, fizemos um teste de verdadeiro ou falso, e depois uma prova escrita. Ai, como eu odeio semana de provas! Depois vem as férias, mas depois das férias, vamos ter mais dever de casa, mais provas, mais trabalhos... Ai, meu deus, amanhã tem prova de matemática!

ATOR 2: Eu tenho que tirar 9 nessa prova! Ou vou acabar repetindo de ano... Por que a gente tem que se preocupar tanto com as notas, hem?

ATOR 3: Bom, acho que o propósito de ir à escola é tirar boas notas. Então, quando a gente entrar no convênio, onde o propósito é estudar bastante, a gente tira boas notas e passa no vestibular. E o propósito de passar no vestibular é tirar boas notas na faculdade, pra se formar e poder fazer a pós-graduação. E o propósito disso é se dedicar muito para tirar boas notas! Assim, você pode conseguir um emprego e ter sucesso, e daí você pode se casar. E ter filhos para mandá-los à escola pra tirar boas notas. E assim, eles vão pro convênio pra tirar boas notas pra irem pra faculdade e estudarem muito...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Cena: Medos

Ator canta, melancólico:

Tinky Winky
Dipsy
Lala
Po
Teletubbies...
Teletubbies...

Atriz - Eu tenho medo.

Ator - Eu tenho medo da infância.

Atriz - Eu tinha medo do escuro.

Ator - Bicho papão, alienígenas, demônios?

Atriz - Eu tinha medo de um anjo...

Ator - Eu tinha medo da musiquinha dos teletubbies.

Atriz canta:

Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar...

Ator- Eu fui uma criança bem gorda. Sempre tive os quadris muito largos, e isso conferia a mim uma forma diferente de andar. Uma forma que os outros começaram a achar engraçada. Logo criaram um link: Tinky Winky.

Atriz canta:
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhantes...

Ator - Eu tinha medo.

Atriz canta:
Para o meu
Para o meu amor passar

Ator - Eu tinha muito medo. Muito medo do inevitável momento em que iria chegar, de manhã cedo, no colégio. Sabia que, aos poucos, as pessoas sorririam, cochichariam umas com as outras, e começariam a cantar a musiquinha, enquanto eu atravessava a rua. Se corresse, seria pior, e muito mais divertido pra eles. Então continuava andando lentamente, do meu jeito.

Atriz canta:
Nessa rua
Nessa rua tem um poste...

Ator - Poste?

Atriz canta:
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração

Atriz e Ator - Esse era um dos meus maiores medos da infância.

Ator - Quando criança, duas vezes por semana havia uma ameaça que me assombrava: a aula de educação física. Haviam os anos em que, logo em janeiro, eu ia ao médico e conseguia um atestado, alegando um problema besta de coluna, que me salvaria, por 365 dias, de viver aqueles momentos. Mas haviam as ocasiões que eu não conseguia.

(Atriz toca tema dos teletubbies com a gaita)

Ator - Certa vez, o professor ordenou que fossem formados dois times, para uma partida de futebol. Dois líderes foram tirados para escolherem, um a um, quem iria jogar em cada lado. Foram escolhendo, um por um, até que sobramos apenas eu, e mais um garoto. Então, um dos líderes chamou o outro garoto. Em seguida o outro virou pra ele, indignado, e brincou:

Atriz 2- PORRA, TU DEIXOU O DEFEITUOSO PRA MIM!

Ator e atriz cantam, ao mesmo tempo:
(Tinky Winky...) Nessa rua, nessa rua tem um poste
(Dipsy...) Que se chama, que se chama solidão
(Lala...) Dentro dele, dentro dele mora um anjo
(Po...) Que roubou, que roubou meu coração

(Ator continua a canção dos teletubbies em vocalize. Aos poucos, Os três atores vão formando a imagem de uma foto de família, na qual Ator é o irmão, Atriz 2 é a mãe, e Atriz é a filha)

Atriz - Esse era um dos meus maiores medos da infância. Durante muito tempo, quando criança, eu achava que tinha um anjo que morava dentro de um poste. Imaginava, numa rua escura, um poste com um buraco e que lá dentro tinha um rosto que me olhava. Às vezes o rosto era do Gonzo, dos Muppets. Era uma das coisas mais assustadoras da minha infância.

(Ator e Atriz 2 fazem vocalize do "Se essa rua")

Atriz - Essa imagem se repetia em um sonho recorrente: Eu, minha mãe e meu irmão no zoológico, um lugar escuro e úmido como aquela rua da música. Em algum momento eu via um muro que era a cela de algum animal, e nela tinha um buraco aonde eu enfiava a mão, eu nunca via o que tinha lá, mas eu sabia que era aquele rosto do poste, talvez o Gonzo.

(Alguém apaga o interruptor de luz, fica escuro, e a música pára)

Atriz - Eu acordava chorando, não lembro porque.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Metas!

Temos data marcada para nossa primeira prévia: 31 de dezembro.

Até o próximo encontro, do dia 10, devemos deixar pronta a dramaturgia. Teremos os seguintes dias de ensaios: 10, 15, 18, 22, 24 e 29.

Vamos trabalhar com colagem. Até agora nosso esboço é:

-Campainhas do teatro como buzina de vendedor de pamonha, significando a voz da mãe;
-Monólogo mãe (Aninha)
-Espadas (Giovana e Haroldo)
-Velha que guarda o filho na caixa, e morre (Haroldo)
"É tu a mãe!" - Passa a bola pra aninha fazer a mãe de costas
-Questionamentos sobre a morte (Giovana)
-Texto do pisca-pisca (dado pelos três), com transparências e retro-projetor
-Cena dos helicópteros, com animação de sombras no projetor
-Música
-Entrada de Corisco, Theflash e Relâmpago
-Cenas cruzadas: de um lado, a cabeça da tartaruga sendo cortada (Haroldo); de outro, o dedo da bailarina (Aninha). No meio, criança brincando com hélice de ventilador mortal (Giovana)
-Encaixar: barbie, educação física, poste.
-Fim: brincando de quem vai ser a mãe, são surpreendidos pela voz da buzina (mãe), mandando voltarem pra casa.

Mote para transição: "Tu é a mãe!", quando houver uma mãe na cena. A pessoa se torna a mãe quando começa a ver as coisas de maneira adulta.

Viabilizar: Ventilador, extensão, retro-projetor, caixa com furos para as espadas, e as "espadas".